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Carvão ecológico é inspirado em técnica indígena milenar
Publicado por Patrick Cenci Pagliari   
22-Jun-2010

Uma técnica milenar usada por tribos amazônicas está sendo redescoberta pela ciência. Para aumentar a produtividade agrícola, alguns povos pré-colombianos queimavam de forma controlada pequenas quantidades de rejeitos orgânicos e obtinham uma espécie de carvão, chamado de ‘terra preta''. Esse material, além de fertilizar o solo, era capaz de reter carbono, por milhares de anos, de modo muito mais eficiente que os processos que ocorrem naturalmente na floresta.

Inspirados nesse saber tradicional, os químicos Fernando Wypych e Antonio Mangrich, da Universidade Federal do Paraná, estão desenvolvendo métodos para produzir o chamado biocarvão, capaz de armazenar carbono no solo por centenas ou até milhares de anos.

"Nossas pesquisas têm alcançado resultados animadores", comemoram os químicos. "Além do biocarvão, produzimos também bioóleo (que pode ser ótimo combustível), biogás (usado para produzir energia) e um extrato ácido (boa opção de biocida para a agricultura orgânica)."

Um modo eficaz de obter esses produtos é a pirólise (processo de queima controlada, em que a biomassa é aquecida entre 300°C e 600°C em ambiente pobre em oxigênio).

"O biocarvão produzido pode fazer com que até 50% do carbono presente na matéria orgânica fique no solo, em vez de se dissipar na atmosfera e intensificar os problemas ambientais que enfrentamos", explica Wypych.

De quebra, produz-se bio-óleo, biogás e extrato ácido. Com a pirólise, pode-se, portanto, dar utilidade a praticamente todo tipo de rejeito orgânico, oriundo da agricultura ou até de lixões em áreas urbanas.

"A ‘terra preta'' desperta grande interesse internacional, e cientistas do mundo inteiro estão atentos a esse conhecimento tradicional de nossos índios", alerta Mangrich. " Não podemos ficar para trás em um tema tão importante e que diz respeito à nossa própria cultura."

Fonte: Ciência Hoje - retiro de www.dgabc.com.br

 
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